A arquibancada também joga na gestão esportiva

Quem gere uma escola de esportes ou um clube de base costuma planejar treinos, calendários e comissão técnica. Mas existe um fator que também influencia a experiência dos alunos e nem sempre recebe atenção: o comportamento dos responsáveis nas arquibancadas.
Uma pesquisa do Aspen Institute, em parceria com a Utah State University e a Louisiana Tech, mostrou que os principais motivos para crianças praticarem esportes são a diversão (48%) e a convivência com os amigos (47%). Além disso, entre as crianças que abandonaram o esporte, houve mais pressão negativa e menos envolvimento positivo dos pais.
O impacto também chega à comissão técnica. Segundo o Center for SafeSport, 46% dos treinadores de esportes infantojuvenis já sofreram assédio verbal, e mais da metade dos que relataram o problema apontou os pais como origem mais frequente.
Como envolver as famílias?
A gestão pode adotar medidas simples para transformar a arquibancada em um ambiente mais positivo:
Estabelecer regras de convivência: orientar os responsáveis sobre respeito aos alunos, árbitros, adversários e comissão técnica antes do início da temporada.
Incentivar a participação: organizar gritos de guerra, ações coletivas e atividades que aproximem as famílias da escola.
Reconhecer atitudes positivas: valorizar responsáveis que incentivam os alunos e contribuem para um ambiente saudável.
Melhorar a experiência nos jogos: oferecer espaços de convivência e atividades que tornem a participação das famílias mais agradável.
Por que isso importa para o gestor?
O envolvimento das famílias pode contribuir para a permanência dos alunos, a indicação de novos atletas e a criação de oportunidades de patrocínio com empresas locais.
Esses resultados dependem de diferentes fatores, mas mostram que o relacionamento com os responsáveis também merece espaço no planejamento estratégico.
Afinal, a gestão esportiva não acontece apenas dentro de campo. Uma comunidade participativa fortalece a experiência dos alunos, contribui para o trabalho da comissão técnica e ajuda a construir uma escola de esportes mais sustentável.